Este tipo de enxerto foi comercializado nos EUA e sujeito a vasta utilização, mas os seus resultados a médio e longo termo foram insatisfatórios, tal como aconteceu para com o seu sucedâneo europeu, baseado em carótidas de vitela (Fig. 2), com uma estrutura de colagénio mais jovem e resistente, mas igualmente ineficaz na prática clínica. Verdadeiros e falsos aneurismas, bem como oclusões precoces constituiram as complicações mais frequentemente descritas que justificaram o abandono dos heteroenxertos na prática vascular comum.
Enxertos protésicos - Os enxertos protésicos constituem actualmente o capítulo mais importante da substituição arterial. A história do seu desenvolvimento está repleta de acontecimentos importantes, onde ressalta uma contribuição de natureza diversa, fornecida por físicos, biólogos e cirurgiões, que veio a redundar na utilização clínica vasta e bem sucedida das próteses, a qual se tem estendido pelas últimas três décadas e cujo aperfeiçoamento continua a receber, ainda no momento presente, novas contribuições.
A história do desenvolvimento protésico pode dividir-se em quatro eras. |
Uma primeira era iniciou-se com Tuffier, em 1915, que ensaiou a utilização de tubos de prata cobertos de parafina, no que foi seguido por outras iniciativas similares por parte de Blakemore em 1942 (tubos de vitalium), Hufnagel em 1947 (metacrilato) e Donovan em 1949 (polietileno) com o que se encerrou esta primeira fase da história da substituição protésica arterial, feita de esporádicas iniciativas individuais(4).
A segunda era começa com Voorhees(17) em 1952 e caracteriza-se pela utilização clínica de substitutos arteriais protésicos, feitos de Vinyon-N. Uma onda de entusiasmo desenvolveu-se na sequência desta iniciativa, que foi muito bem sucedida desde as suas fases iniciais. Em 1956 haviam já sido testados 8 materiais sintéticos nos EUA para a substituição arterial e a Society for Vascular Surgery nomeou uma comissão destinada a definir as características físicas e biológicas da prótese ideal, que não existia até àquele momento, mas salientava serem os tecidos de Dacron e Teflon os que mais se aproximavam dos requisitos da prótese ideal(18).
A terceira era da história da substituição protésica caracteriza-se pela utilização clínica dos enxertos de Dacron, em praticamente todos os sectores e territórios vasculares, tendo sido DeBakey(19) o seu grande propulsor, no decurso da década de 60. |